segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

MANÍACO

Putz! Tenho que escrever para o blog. Sei que ninguém lê, exceto quando provoco a minha mulher ou algum eventual amigo. É verdade que não gosto de me exibir, mas seria mentira se escrevesse que não gosto de me expor. Não sei se eu gosto, mas é o que faço sempre. Com muita, quase absoluta freqüência, pelo menos. Acho que é por causa disto que criei meu blog. Eu queria disfarçar ele em um blog de reclamação do tipo “direito do consumidor” ou do tipo “troféu abacaxi de marketing”, mas a verdade é que eu também não gosto de falar mal dos outros. Eu faço, mas não gosto. Então, acabo escrevendo outras coisas, julgando e tentando ser um xaropão.

Outra verdade é que desde que criei o blog, gostei da brincadeira. Na verdade, sempre gostei de escrever, mas talvez por problemas com a minha auto-estima (e quem não tem neste mundo competitivo?) eu nunca guardei o que escrevi e também, na maior parte do tempo, eu não escrevi o que pensei. Mas eu gosto. Sou fã de alguns colunistas da Zero Hora e de alguns escritores, estou sempre lendo algo. Fico imaginando o quanto deve ser bom o cara ser um David Coimbra. Acho ele fera. Eu quero ser assim quando eu crescer. A grande desvantagem minha, além da questão da qualidade (o que convenhamos, é subjetivo) é que eu não nasci e nem cresci no IAPI, e me parece que todos os colunistas da Zero Hora cresceram por ali. Gosto de outros tantos colunistas, como por exemplo, o Wianey Carlet, que eventualmente quero crer que é gremista e também do Santana, que acha que é o cara, porquê é o cara. Bem, de tanto ler esses caras, e outros(as), é que acho que estou com a mania de escrever. Até porquê faz algum tempo peguei a mania de nunca deixar as coisas inacabadas e agora eu comecei um blog, então tenho que escrever. O "putz" inicial é que eu, pra variar, estou com preguiça.

A grandessíssima verdade é que eu acho que descobri que eu sou maníaco. Uma vez uma colega minha de faculdade, no fumódromo (pelo menos é a isto que a minha memória me remete, mesmo não lembrando quem era esta colega) me disse que eu era maníaco, no momento em que eu narrava (com muito orgulho) que eu ajudava a minha mulher em casa, mas que eu gostava de fazer algumas rotinas, que são, na realidade, uma forma de me divertir com tarefas chatas como estender roupa, por exemplo.

É assim: Eu estendo roupas de uma forma organizada, sempre do mesmo jeito, tipo, camisa com os prendedores na gola, cuecas, prendedores no fundilho, e assim por diante. Até aí tudo normal, aí vem o que eu gosto de fazer de verdade, que é colocar os prendedores com seus respectivos pares, tipo verde com verde, azul com azul, azul de ponta chata com azul de ponta chata. E se não tiver outro azul de ponta chata, tem que ser um outro de ponta chata que não contraste com o azul, pode ser outro tom, ou pode ser um verde, mas não pode ser um amarelo ou vermelho. É meio esquisito mesmo, mas é bem divertido.

Outra coisa que ela estranhou é que eu lavo a louça com um método econômico e ecológico. Mas não sou um cara econômico, por causa disto, fica esquisito. Eu gosto de lavar primeiro um copo, preferencialmente o maior. Passo uma aguinha básica em todas as louças antes e tiro o “grosso” da sujeira, claro. Bem, depois do copo, eu lavo os talheres, mas aí sem ordem nenhuma. Vou colocando os talheres dentro do copo grande. Então, lavo as panelas, potes ou baixelas grandes. Estes servem de base para os pratos grandes, que devem ficar abaixo dos pratos pequenos e estes finalmente, abaixo dos pires. As xícaras, ficam encaixadas uma na outra, ao lado desta montanha. Então, com a pia limpa, coloco a base (baixela, pratos, e por aí vai). Em cima, equilibro os copos, ao lado as xícaras e depois em cima de tudo os copos, pois com um copo cheio de água, já posso derramar seu conteúdo no copo dos talheres. E assim vou desmanchando a pilha, otimizando o processo e tentando baixar meu tempo.

Como eu disse, até aí, mesmo ela achando que eu sou maníaco, e quem ler este texto tendo talvez certeza disto, eu ainda achava que era tudo uma questão de consciência social e de divertimento, ou pelo menos, distração, já que estas tarefas são mesmo um saco. Mas de um tempo pra cá, tenho lido a zero hora com uma régua e uma caneta na mão. Recorto um monte de coisas que acho interessantes nela. Umas para uso pessoal, outras para uso profissional, que levo para o escritório. Daí eu colo, cada uma destas categorias em cadernos específicos, um em casa e outro no trabalho. São coisas úteis, mas acho que virou uma mania. Termino este texto torcendo para que seja apenas uma terapia ocupacional, agravada em muito pelas férias da faculdade. Espero voltar ao normal em breve, mas se não voltar, desejo que eu consiga, de fato, encontrar utilidade para esse monte de recortes.